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Cezar nasceu no Rio Grande do Sul mas vive desde a adolescência na Cidade Maravilhosa

CEZAR MIGLIORIN estudou Publicidade na PUC-Rio de '87 a '91 e depois entrou a fundo nos estudos de Cinema no Conservatoire Libre du Cinéma Français de Paris, cidade em que viveu de '91 a '93. Um dos mais respeitados Montadores de todo o país há pouco finalizou o seu Mestrado em Comunicação e Cultura- Tecnologia da Imagem pela PUC do Rio de Janeiro. Abaixo, momentos em que ele conversou com Marco Antonio Freitas.

MF - Por que você escolheu a área de montagem?
 

Cezar- Inicialmente eu pensava em dirigir, tanto que realizei uns trabalhos experimentais em vídeo; Mas no fundo eu sempre achei que dirigir era algo muito complexo e distante, há anos atrás eu já tinha uma idéia de como era complexo o processo de fazer Cinema, tanto que eu fui tentando outros caminhos para chegar aonde eu desejava. Eu fui então, notando, que a Montagem me levaria próximo a essa complexidade (risos).

MF- Como você começou como Montador?

Cezar- Estudei por dois anos e meio em Paris- especialização em Montagem para Cinema e TV- logo depois de fazer Comunicação na PUC do Rio. Voltei da Europa em '94 e eu não conhecia ninguém na área, pois eu, antes de ir para o exterior havia trabalhado em Publicidade basicamente! Montei o curta "Herodes"('94), da Paola Barreto (Assistente de Direção de "Cronicamente Inviável"), um curta experimental muito bonito, mas infelizmente pouco conhecido..

MF- Foi filmado em 16mm, certo?

Cezar- Isso mesmo. Depois eu montei quase que paralelamente, o curta "Dois na Chuva" (de Miguel Piewodowski ('96)- selecionado para inúmeras competições de renome ao redor do mundo, como Festival de Huelva (España)-'97, Festival de Tolouse/França-'97, San Diego Latin Film Festival-'98- que ficou muito legal

MF-É um belo trabalho! Conta com os grandes Ana Beatriz Nogueira ("Vera", "Jenipapo", "Villa-Lobos") e o Ernesto Piccolo ("Como Ser Solteiro", "For All", etc) como protagonistas...

MF-...e o "Nelson Sargento" ('97) do Estevão Pantoja (Diretor de humorísticos de TV), que acabou até me dando prêmios em Gramado, foi uma experiência maravilhosa na minha vida. Compartilhei muito com o Estevão a idéia do filme, e ao mesmo tempo ele estava muito aberto à minha participação criativa em várias áreas...pois por um lado era um Documentário por um lado, mas continha cenários preparados para as filmagens, o que não é nada comum nesse tipo de filme...

MF- Uma quase reconstituição de certos aspectos da vida do Nelson Pantoja, certo?

Cezar- Isso, tentamos captar um pouco o sentimento do Nelson quanto a ser filmado...o filme tem momentos super fragmentados com outros mais convencionais...tudo isso, basicamente com narração em off

MF- Não tens ficado parado desde então, certo? Noto que acabas um projeto e parte para outro...

Cezar- Ainda bem (risos).

MF- Editastes o Som dos longas "O Quatrilho"('95), "Tieta"('96), "Baile Perfumado"('97), "Como Ser Solteiro"('98). O que recordas desses trabalhos?

Cezar- Em "O Quatrilho", eu na verdade, fui Montador de Diálogos, sob a supervisão da Montadora de Som Virgínia Flores (Montagem de Som de "A Cor do Seu Destino", "Luzia Homem", "Menino maluquinho2", etc). A experiência foi trabalhosa pacas, tivemos dificuldades em sincronizar os diálogos, o filme era bastante longo inicialmente ("O Quatrilho" e "Tieta" foram editados na empresa RobFilmes). Usou-se um equipamento chamado 'SonicSolutions' , poucos sabiam operá-lo com habilidade, o que tornou as experiências um pouco caóticas. "Tieta" teve a parte de Edição de Som Direto e Som Ambiente foi feita no Brasil, a parte de Edição de Efeitos de Som/Ruídos (Foley Effects) foi feita nos Estados Unidos. "Como Ser..." e "Baile..." foram feitos num equipamento adquirido por mim em sociedade com o Fernando Ariani- Montador de Som em "Santo Forte", "Menino maluquinho2", etc- e a Virgínia.na época, a Diretora Rosane Svartman (Assistente de Direção em "Todos Os Corações do Mundo"/ Co-Roteirista de "Veja Esta Canção") eu já era amigo há algum tempo; Em "O Baile..." fizemos quase que um trabalho de pesquisa, reconstituindo a realidade sonora da época do cangaço, muito legal.

MF- A tua experiência na França incluiu Montagem em equipamentos Avid, para Edição Eletrônica em Computador?

Cezar- Não. A Escola lá na França contava com Moviolas (estilo/equipamento clássico p/Montagem). Era tudo em Moviolas, treinei muito Montagem em 16mm. Pois é, eu estava no Brasil de volta, e o único projeto que estava sendo feito era o "Carlota Joaquina" ('94-'95), o primeiro filme da retomada do Cine Brasileiro. Eu iria entrar como Assistente da Marta Luz ("Mil E Uma", "Dedé mamata", "Com Licença, Eu Vou À Luta", etc) mas depois de pouco mais de um mês, quando ela havia terminado a metade do primeiro corte do filme (uma primeira versão da Montagem), na verdade, uma metade já quase definitiva, houve um desentendimento com a Diretora Carla Camurati ("A Mulher Fatal Encontra O Homem Ideal", "Copacabana", etc) e ficou decidido que eu ficaria até a finalização, mais uns 09 meses.

MF- ficastes quase até o parto do filme, então?

Cezar- (risos) É. Por sinal, eu assisti esses dias o filme novamente, e eu realmente gosto de um aspecto da montagem do filme, refere-se àquela dependência e vício de linkar o corte ao movimento, que foi evitada no "Carlota..."; Eu deixei, muitas vezes, o plano se estender por mais alguns quadros, uma esticada mínima, mas que é interessante. Muito se deve também à Carla, pois eu, apesar de ter bastante conhecimento teórico de Montagem e saber manipular a Moviola, era muito inexperiente naquele filme.


Teaser/pré-cartaz promocional feito para o lançamento Britânico de "Doces Poderes", montado por Cezar

MF- O teu próximo filme foi "Doces Poderes"('96), certo?

Cezar- Isso!

MF- Filme que eu gosto, mas que foi pessimamente lançado.

Cezar- É...super mal-lançado.

MF- Foi montado em Moviola também, correto? Fale um pouco para a gente da sua experiência montando esse filme..

Cezar- Foi excelente! Eu estava empolgadíssimo em trabalhar noutro longa-metragem, apesar de estar super-atarefado...trabalhando das 18:00 a meia-noite e de tarde editava o som de "O Quarilho". "Doces Poderes", apesar de ter uma estrutura mais convencional, foi de certa forma, um desafio; Havia uma questão básica que era a utilização de cenas quase documentais...a decisão de como intercalar as entrevistas com as cenas de ficção, como a narrativa seria interrompida por essas inserções...foi um processo de uns três meses, acabei ficando muito próximo à Lúcia que estava sempre lá participando da pós-produção, etc O Sacha Amback (Compositor da trilha sonora de "Doces Poderes" e Arranjador Musical de Discos), por sinal foi indicado por mim e a participação da Adriana Calcanhoto também, pois eu gostava muito do trabalho dela com o Tião Macalé...

MF- Comente as suas experiências nos recém-lançados "Hora Marcada"('99-2000) e "Brava Gente Brasileira" ('99-2000)...

Cezar- "Eu participei do "Hora..." há quase dois anos. O "Brava Gente...", por diferenças com a Diretora Lúcia Murat, eu saí depois de dois meses e'fiz um primeiro corte., isso em Dezembro de '99. O Mair Tavares ("A Lira do Delírio", "Xica da Silva", "Chuvas de Verão", etc), que é ótimo, continuou o meu trabalho e entregou um segundo e definitivo corte. O "Hora..." foi uma Co-Montagem com o (estreante) Ricardo Mehedff; que havia morado de oito a dez anos nos Estados Unidos. Foi muito bom fazer o filme, apesar de eu não compartilhar completamente o universo do Diretor Marcelo Taranto (estreou em longas com a "Hora..."), mas ao mesmo tempo haviam aspectos muito bacanas para um Montador resolver nesse thriller, como o tempo em cada diálogo, o Marcelo é generosíssimo, fácil de se trabalhar, eu aprendi muito com o filme.

 

NOTA: As informações entre parênteses foram colocadas pelo www.sitedecinema.com.br para ilustrar os talentos citados.  

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