Gente
de cinema em depoimentos EXCLUSIVOS para o site.
Marçal
Aquino é um dos roteiristas em maior evidência no cinema brasileiro. Aquino
começou na literatura, escrevendo contos. Sua entrada no mundo cinematográfico
aconteceu em 94, quando foi convidado pelo diretor Beto Brant para adaptar
o conto "Onze Jantares", escrito pelo próprio Aquino. Quando
Brant quis adaptar outro texto do autor, o chamou novamente, pois não gostou
do trabalho de outros roteiristas. Hoje, Aquino tem entre seus trabalhos
para cinema "Os Matadores" e "Ação entre Amigos",
ambos com Beto Brant e os curtas "TV de Cachorro", de Cláudio
Assis e o longa metragem "Nina", de Heitor Dhalia. Seus
próximos filmes, "O Invasor" e "O amor"
e outros objetos pontiagudos, em parceria com Beto Brant, estão em fase
de produção. "Os Matadores" e "Ação Entre Amigos"
estão disponíveis em vídeo.
Site de Cinema: O
que o motivou a ter uma carreira no cinema?
Marçal Aquino: Sempre
gostei de cinema, desde muito cedo, embora nunca tivesse pensado em trabalhar
com isso. Tenho na literatura, até hoje, minha prioridade. E foi a literatura
que acabou me levando para o cinema. Isso porque o diretor Beto Brant
se interessou por um conto que eu havia publicado em 91, Onze jantares,
e quis adaptá-lo para um curta. Na seqüência, publiquei um livro que continha
o conto Matadores e, novamente, o Beto quis transformá-lo em cinema. Diante
de sua insatisfação com os dois primeiros tratamentos do roteiro, ele
me convidou para auxiliá-lo. Foi então que comecei a atuar como roteirista.
Gosto desse trabalho, a despeito das diferenças de linguagem que existem
entre o cinema e a literatura. O que me motiva a continuar escrevendo
para cinema - na medida em que sou originalmente um escritor de literatura
- é o prazer e o desafio de lidar com outra linguagem, é a possibilidade
de transitar em outro meio de que gosto muito também.
SC:
Como é o seu processo de criação de roteiros?
Aquino: Há dois
processos distintos. Um, quando trabalho sobre um texto literário previamente
existente - casos de "Os Matadores", "Ação entre
Amigos", "O Invasor" e "O Amor e Outros
Objetos Pontiagudos". Trata-se de um trabalho de adaptação, de
passagem da linguagem literária para a cinematográfica. O outro processo
é o trabalho feito sobre um plot central - caso do roteiro de "Nina",
uma parceira minha e do diretor Heitor Dhalia (do curta "Conceição")
-, a partir do qual desenvolvi um argumento e, posteriormente, o roteiro.
Em todos os casos, prefiro trabalhar em parceria com o diretor. Acho que
facilita muito, porque é possível criar já conhecendo de antemão as intenções
do diretor.
SC:
Que filme marcou a sua vida?
Aquino: Como sempre gostei de cinema,
são muitos, felizmente, os filmes que considero marcantes. Gosto do trabalho
de uma infinidade de diretores, que procuro acompanhar. Fica difícil citar
um único filme. A título de exemplos, menciono filmes bem recentes, que
considero realizações importantes: "Assédio", do Bernardo
Bertolucci; "Os Amantes do Círculo Polar", do espanhol
Julio Meden, e "Funeral", do Abel Ferrara, porque, em
todos eles, o trabalho do(s) roteirista(s) aparece de forma evidente nos
resultados finais.
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