Gente
de cinema em depoimentos EXCLUSIVOS para o site.
O
entrevistado dessa semana é o cineasta Jaime Lerner. Ele formou-se em
cinema e TV em Israel (Beit Zvi), morou um ano em Londres, quando participou
da equipe da super-produção "LifeForce", de Tobe Hooper. Voltou para o
Brasil em 85. Além de fazer cinema leciona na PUC no curso de especilaização
em Produção Cinematografica e trabalha com publicidade e clipes de música.
Filmografia:
Diretor e Roteirista: Young Jon Watchin' Time (84, 20 min);
Diretor, Roteirista e Diretor de Fotografia: Mazel Tov (90, 14min), Miragem
(92, 6min), A Festa (94, 14min), Duelo (98, 12min), Harmonia (2000, 91min)
- apresentado em Gramado este ano;
Como fotógrafo: Nicole and Adel (84, 50 min), Diário - capítulo
Brasil (85, 50 min), O Gato (86, 70 min), Platina (89, 12 min), A Pequena
Vida das Pessoas Grandes (94, 8 min).
Site
de Cinema: O que o levou a ser cineasta?
Jaime Lerner: Eu
tinha 12 anos, morava em Israel e fui indicado pela minha escola para
participar de uns cursos especiais que a Universidade de Tel Aviv ministrava
para crianças em idade escolar. Havia uma variedade de cursos e resolvi
escolher um que não tinha nada a ver com o que estudavamos na escola.
Fiquei entre psicologia e cinema e no fim resolvi me inscrever em cinema.
Tinha um professor muito legal e trabalhavamos em super 8. Me apaixonei
pelas possibilidades da sétima arte. Um certo dia, caiu uma chuva torrencial
e eu fui o único aluno a ir à aula. O professor me levou então para a
biblioteca e começamos a folhear livros de pintores (Rembrandt, De la
Tour, etc) e analisar a luz destes quadros. É claro que eu pirei! A partir
daquele dia resolvi que iria fazer cinema e esta loucura não passou até
os dias de hoje.
SC:
Como
funciona o teu processo criativo?
Jaime Lerner: O
interessante no cinema é que o processo criativo começa na idéia, segue
no roteiro, vai para a decupagem (por enquanto estamos ainda fechados
numa sala de trabalho) se estende para o set (quando estamos cercados
de pessoas e pressionados para filmar rapido e bem) e termina na montagem
(quando há novamente uma tensão menor de trabalho e o dialogo é com o
montador e o material). Em cada um destes momentos é preciso estar aberto
para novas idéias e para que isto aconteça tu tem que ter um conceito
muito forte do filme que que você quer fazer. Tendo em mente este conceito
bem forjado tu não sente insegurança em aplicar (ou rejeitar) novas idéias,
sejam tuas ou da equipe ou do elenco, pois você saberá com certeza se
elas servem ao conceito do filme. Normalmente no meu caso a idéia inicial
é uma idéia visual. Ela passa então pleo filtro do roteiro. Volta a ser
visual quando estou decupando e filmando. É uma coisa meio de "pensar
com o olho". Eu tenho que sair da etapa decupagem com este conceito já
bem formado. Isto é importantissímo para que o processo criativo me acompanhe
no set e possibilite a toda à equipe exercer a sua criatividade dentro
do objetivo do filme.
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