Gente de cinema em depoimentos EXCLUSIVOS para o site.

O Cineasta  Lucas Amberg realizou já na sua estréia como Diretor de longas, um feito que muitos veteranos de Cinema não atingem durante toda a sua carreira: um elogiado filme c/elenco e equipe superlativos. O drama romântico "O Caminho dos Sonhos" foi baseado na obra "O Sonho no Caroço do Abacate" do grande escritor Moacyr Scliar e contou no elenco com o novato e ultra carismático Edward Boggis, com Elliott Gould, um dos mais populares astros dos anos 70 (vide filmes como "MASH" e "CAPRICÓRNIO1", etc), a Atriz e Diretora Talia Shire (irmã de Francis Coppola, famosíssima pelas séries "Rocky" e "Poderoso Chefão"), a popular Taís Araújo, Jair Rodrigues e Jairzinho (estreando no Cinema), os veteranos Cecil Thiré e Antonio Abujanra e os elogiados Caio Ciocler e Caio Blat. Por detrás das câmeras, gente como o Produtor Alan Amiel (a saga erótica "Santuário do Medo" e o thriller policial "Viper") , e o Fotógrafo Israelense Hanania Baer ("Mestres do Universo", "BreakDance2" e um dos últimos filmes co-estrelados por Orson Welles, "Alguém Para Amar", etc).

SC: Conte p/os leitores do www.sitedecinema.com.br sobre o início da sua carreira no Cinema:


Lucas Amberg : Eu tinha paixão por cinema desde minha adolescencia. Quando era garoto em Lages, matei muitas aulas pra pegar  a sessão das duas no cine Marajoara.  Aos Dezenove, já em Curitiba, estudei para ser ator de teatro. Aos vinte e dois estava em São Paulo atuando numa peça de Gil Vicente "Auto da Barca do Inferno". Aos vinte e cinco estava no Rio estudando na CAL na tentativa de me adaptar para a televisão. Dois anos depois, parti para Los Angeles em busca de uma formação em cinema. Dez anos em Los Angeles digerindo cinema diariamente, minha paixão pela sétima arte deslanchou. Hoje, convivo mais próximo da realidade do cinema brasileiro. Portanto, vivo mais uma realização interior, pela formação que tenho, do que uma realização profissional.

Lucas dirigindo Talia Shire e Elliott Gould; Ao fundo Caio Blat


SC: Como funciona o seu processo criativo na elaboração do roteiro, direção de atores, escolha do estilo de narração?

Lucas Amberg : Bom, acima de tudo tenho que me identificar com a estória que escolho para adptar junto com o tema que escolho para escrever. Uma vez vencida esta fase elaboro o roteiro de acordo com o material da obra literária. Por exemplo, quando adaptei "Um Sonho No Caroço do Abacate", descobri desde o inicio que a estrutura narrativa usada pelo Moacyr Scliar para uma temática direcionada a adolescentes era perfeita, simples e objetiva e, já que a minha motivação maior para adaptar a obra era a simplicidade história original com uma temática profunda, procurei simplificar a narrativa cinematográfica com objetividade. Assim o adolescente poderia digerir o filme com facilidade.

A direção, na realidade, inicia na seleção de atores casting. Alguns atores já oferecem bastante do personagem por si mesmos. Durante uma leitura de texto ou uma entrevista, já se consegue perceber traços do personagem no ator, depois, durante os ensaios, adiciono varias informações do personagem  não contidas no roteiro. Isso facilita o trabalho do ator. Felizmente, o resultado se vê na tela. Funciona.

Lucas, Jairzinho de Oliveira, Taís Araújo e Edward Boggis

SC: Como foi, p/um estreante em longas como você, dirigir gente consagrada como Talia Shire (indicada ao Oscar p/ "Rocky", uma das estrelas da saga "Poderoso Chefão"), Elliott Gould ("MASH", "Bugsy"), Cecil Thiré ("Os Fuzis", "Ainda Agarro esta Vizinha") e estreantes em cinema como Edward Boggis, Taís Araújo e o cantor Jair Rodrigues e seu filho Jairzinho,gente vindo de  "escolas" de atuação tão diferentes?

Lucas Amberg: Trabalhar com Elliott Gould foi bem mais simples do que imaginei. O Elliott embarcou na história. Chegou no set com o personagem construido. Tive receio na primeira cena, mas quando ele desceu a rua paternizando o jovem Boggis, cujo personagem Mardo acabara de ser expulso da escola, vi nele o Samuel perfeito. Com a Talia fiquei um pouco tenso porque antes mesmo de assinar ela pediu para mudar o roteiro. Então, pedi que ela mandasse uma lista das mudanças que pretendia fazer. Descobri que as mudanças eram em outras partes do roteiro não as suas. Não concordei mudar. Ela foi muito bem em todas as cenas que atuou com o Elliott. A influência energética dele no set foi impressionante. O Edward foi um achado. Fiz um vasto trabalho de casting entre São Paulo e Rio e felizmente, apesar da pouca experiência do Edward, ele se integrou bem ao personagem. A Taís é uma atriz que não mede esforços para satisfazer a necessidade do personagem no filme. Uma pessoa bastante dedicada a sua arte. A Taís, o Edward e todos os atores jovens tabalharam juntos num workshop que fizemos duas semanas antes das filmagens. Ali, o grupo desenvolveu um entrosamento introspectivo com os personagens que mais tarde se refletiu na tela. O Jair Rodrigues já tinha conhecimento da história do filme e é uma pessoa muito espontânea e extrovertida. No set falava com todo mundo, inclusive com Elliott e Talia,  mesmo não sabendo falar Inglês. No primeiro dia ele me perguntou: "Lucas, o que você quer que eu faça?" falei, "você é o pai do Carlos e da Ana, eles são uma familia mais ou menos igual a sua, seja você mesmo. Fale com eles com se estivesse falando com os seus." O Jairzinho riu. Foi uma experiência bastante agradável.

 

 

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