Gente
de cinema em depoimentos EXCLUSIVOS para o
site.
Flávia Amon é a nossa entrevistada desta semana. Esta Gaúcha venceu nos
Estados Unidos da América numa área em que a Indústria Americana é
provavelmente a especialista: Som para o Cinema. Morando há quase uma década
lá, sua competência pode ser conferida em obras elogiadas como "Os Imortais"
(com Eric Roberts e Tony Curtis), "Colheita Maldita3", "CandyMan", "Anjos
Rebeldes"; Ultimamente, teve mão direta no lançamento do já polêmico
"Quills" (sobre a vida do Marquês de Sade, dirigido por Phil Kaufman, de "Os
Eleitos"e "A Insustentável Leveza do Ser", etc), "Sabor da Paixão" (a
estréia de Murilo Benício em Hollywood), e do Musical Australiano "Bootmen",
estrelado por Adam Garcia, de "ShowBar".
SC:
Flávia, o que a levou a entrar na Indústria Cinematográfica?
Flávia Amon
: Vim para Califórnia para estudar cinema na UCLA (University Of California, Los
Angeles- Extension Certificate program). Tinha recém me formado na
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Publicidade e ja estava
trabalhando na área por uns três anos em algumas Produtoras de Porto Alegre. O
setor de pós- produção era super precária no Brasil, e ainda é em alguns
aspectos, então resolvi vir para cá estudar. Não tinha intenção de ficar,
iria voltar para continuar trabalhando em produção de comerciais , mas as
coisas começaram a rolar por aqui de uma maneira que não pude voltar. Na
época, perguntei a um
dos meus professores Americanos se teria um jeito de ver pós -produção na
prática e não somente na teoria. Ele trabalhava na 20Th Century Fox e acabei
lá por três semanas num tipo de estágio. Fiquei fascinada com o estúdio de
som que na epoca estava mixando "O Curandeiro da Selva", c/Sean Connery (e
José Wilker). Quando a mixagem acabou o meu "estágio" tambem chegou ao fim
e saí com uma lista de 10 contatos. Alguns receberam o meu telefonema,
alguns não. Os que falei não tinham nada disponível para mim, mas me
passaram outros nomes. E assim fui indo , depois de 50 "portas na cara", um
pequeno estúdio de som me contratou como uma espécie de boy pagando quase
nada por semana. Resolvi aceitar, é claro . A grande vantagem era que esse
escritorio era na SKYWALKER SOUND (uma das empresas do conglomerado de
Cinema LUCASFILM/LUCASARTS), de George Lucas. Ficava por lá depois das horas
de trabalhos observando tudo , perguntando e aprendendo. Passei para
assistente de som e depois assistente de coordenação e então cordenadora.
La tive a oportunidade de trabalhar com o ator-Diretor Forest Whitaker (em
seu debut como Cineasta), em "Strapped-À Mão Armada", Allison Anders, em "Mi
Vida Loca", e muitos outros. Passei então a ser coordenadora de pós-
produção de som para uma outra empresa, a GROUND CONTROL, onde fiquei por
dois anos e trabalhei em mais de 25 longas.
Já estava cansada de trabalhar somente com som e passei a trabalhar numa
empresa de traillers e de pós-Produção chamada HAMMER FILMS onde fiquei por
cinco anos , começando como Coordenadora e passando para Vice- Presidente.
.Durante este período, tive a oportunidade de trabalhar também nos meus
próprios projetos e produzi Vídeo-Clipes e um curta metragem em 35mm chamado
"Sink or Swim", que passou por vários festivais ganhando prêmios em varios
deles. Nos ultimos dois anos na HAMMER tambem trabalhei
em oito filmes brasileiros fazendo a supervisão de pós- produção deles em
Los Angeles, como
"O Novico Rebelde", "Os Matadores", "Ação Entre Amigos", "Amor e Cia. ",
"Por Trás do Pano", "O Fantasma Trapalhão", "Angélica-Zoando na TV", "O
Tronco") . Em Abril deste ano a Fox Searchlight (Subsidiária da 20TH
Century Fox especializada em produção mais 'classudas'/ 'Independentes/ de
arte) me contratou com "Director of audio visual creative advertising" onde
sou responsavel pela produção de Traillers, Comerciais de TV e rádio dos
filmes daqui.

SC:
Do que consiste o trabalho de uma "POST AUDIO COORDINATOR" ("Coordenadora
de Som 'na fase de Pós-Produção"), Flávia?
Flávia Amon :
Este é um trabalho bastante
mecânico e nao se tem muita influência criativa no som. Os editores de som,
principalmente os de efeitos especiais sonoros tem bastante poder criativo,
mas e o diretor que no fim vai determinar exatamente o tipo de som que o
filme vai ter. O engenheiro de mixagem também tem bastante influência, pois
é na mixagem que usa o seu talento para "misturar" todos os sons , inclusive
adicionando ecos e efeitos do gênero, mas mais uma vez é o Diretor que
determina o que gosta ou nao. O produtor do filme com certeza tambem tem a
palavra e pode sugerir algumas coisas ou tirar outras, mas o Diretor,
Editor é que são os mais criativos no processo. Como
coordenadora a parte de cronograma é fundamental e também a coordenação de
todas as partes envolvidas no processo. Como supervisora de som o controle
de qualidade passa a ser parte da função e tambem se trabalha mais perto do
processo criativo podendo-se sugerir
sons. O supervisor de som é como um produtor que se encarrega somente da
parte de som.
NOTA: As informações entre parênteses foram colocadas pelo
www.sitedecinema.com.br para ilustrar os
talentos citados.
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