Gente de cinema em depoimentos EXCLUSIVOS para o site.

É com muita honra que contamos nesta semana com o premiadíssimo Diretor de Fotografia Rob Draper como entrevistado; Nascido na Austrália, seu trabalho é consagrado na França, Estados Unidos, País de Gales, Canadá, etc. Hábil também como Operador de Câmera, alguns dos astros que já fotografou foram: Patrick Swayze e Piper Laurie( no drama"O Tigre"), Christian Slater e Rae Dawn Chong ( na antologia para o Cinema baseada em contos de Stephen King e George Romero "Contos da Escuridão"), e outros.

 

                                      

SC- O que o levou a ser Diretor de fotografia?

RD- Minha carreira começou de forma bastante inusitada; Eu era técnico num laborátorio médico numa cidadezinha do interior da Austrália, cerca d 500km de Sydney quando a minha mulher, que competia como Amazona, me pediu que a filmasse com seu cavalo, para que assim, ela pudesse, ao estudar o material filmado, melhorar sua performance. Depois de pesquisar câmeras e preços, decidi comprar uma Chinon Super8mm, por U$900. Ao chegar à loja e comprá-la, fui abordado por um cliente que havia voltado à loja para recuperar a carteira que havia esquecido dentro do estabelecimento, que me perguntou o porquê da escolha. Depois d explicar-lhe, ele ofereceu-me sua câmera Bolex 16 com 03 lentes Turret por U$350 (!), que ele usava nos seus tempos de operador d câmera para telejornais ( naqueles tempos, o material era filmado em película, não gravado em vídeo como hoje). Fiquei atraído pela proposta ao notar que poderia tentar convencer o pessoal do canal de TV local a me dar uma chance, e se fosse aceito, filmar as reportagens de notícias e com o meu cachê financiar os filmes de treinamento da minha esposa. Bem, um começo não muito glamuroso, mas era um começo! Com meu pagamento, paguei a câmera, o filme e a revelação, e no processo, também aprendi um pouco de montagem para Cinema.

Um ano depois, eu já estava contratado em tempo integral pela TV e lá fiquei por mais dois anos em tele-jornalismo. Dalí parti para a realização de programas de variedades, vídeoclipes e documentários, e mais tarde como free-lancer, viajando pelo mundo afora fotografando comerciais d publicidade, isto me levou até os E.U.A. aonde iniciei minha carreira em longas de ficção. Agora já são mais de 26 anos na área.

SC- Como você definiria a sua função de Diretor do Fotografia?

RD- Em primeiro lugar, como Diretor de Fotografia tem que se saber que você está num projeto para interpretar visualmente a visão do Diretor; Por isso é vital que se entenda o que passa na cabeça dele e que se entenda precisamente so it is vitally qual é a sua visão (a do Diretor). às vezes isto leva tempo, já com outros profissionais, este processo é fácil, e logo se entende o que eles imaginam e como eles visualizam a história a ser contada. No estágio em que me encontro na minha carreira, também sou chamado para trazer a minha visão e ponto-de-vista ao projeto.

SC- Como se dá o seu processo de transposição do texto para a linguagem visual?

RD- Nas minhas primeiras leituras, tento visualizar a página escrita baseada no texto em si e também nas minhas reações emocionais ao projeto. Alguns são escritos em estilos bem visual, outros não. É neste estágio que encontro o Diretor e basicamente trocamos idéias e neste ponto que a colaboração comigo e o Diretor realmente ocorre. Por exemplo, quando vou filmar cenas externas, tenho em mento trabalhos de artistas plásticos famosos como Wyeth, Constable, Gainsbourough, Turner e Breughel. Componho, filtro, e ilumino as cenas c/suas obras em mente...não sempre possível de realizar , mas como uma base para o trabalho.

Em interiores e closes, remeto-me à inluências artísticas como Caravaggio e Rembrandt, dependendo é claro, da aparência geral do projeto. Sempre procuro separar o que está em primeiro plano do que encontra-se mais ao fundo, usando luz e sombra ao invés d luz d fundo e tento contar com uma fonte única de luz atravessando o quadro. Com esta premisa, eu interpreto o filme e daí vejo como e quão longe posso ir, criativamente falando, sem é claro, fugir do ponto-de-vista do Diretor. Uma vez c/isto organizado em mente, seleciono as lentes que usarei, tipo d filme, tons e texturas de cores, filtros e exposição que serão empregados no look do filme. Por exemplo, em "Halloween5", o Diretor Domenique Othenin-Girard queria uma aparência Européia à trama, não o típico visual destas produções, com cores brilhantes e luz dura de fundo, objetiva, etc. Ele buscava um look envolvente com muito uso de lentes de grande objetiva, para assim empurrar o público direto para o que ocorria na tela. Isto me forçou a usar mais luz dura do que o normal, já que fontes mais 'macias'/soft não teriam como serem escondidas em alguns dos momentos do filme, em que os enquadramentos eram de plano-geral. Eu acabei expondo as porções escuras do filme para que atingissem um preto sólido e minimizei a luz de fundo para chegar a um visual naturalista em estilo, numa tentativa de aumentar aa tmosfera realista e conseqüentemente adicionar mais suspense à história.

Em "SpitFire Grill-O Recomeço" eu trabalhei em direção completamente distinta: já que a história se passava no estado do Maine, foi usado com ponto de referência a pintura 'Christina's World'de autoria do grande Andrew Wyeth.

NOTA: As informações entre parênteses foram colocadas pelo www.sitedecinema.com.br para ilustrar os talentos citados.  

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