Gente de cinema em depoimentos EXCLUSIVOS para o site.

Natural de João pessoa, Paraíba, O Cineasta José Joffily celebrizou-se como um dos mais completos homens de Cinema da América Latina. Como roteirista, só para citar um dos seus talentos, escreveu o feminista " Parahyba Mulher Macho" ( baseado no romance 'Anayde Beiriz' escrito por seu pai) com a Diretora Tisuka Yamasaki ("Gaijin", " Xuxa Requebra", etc), a comédia infantil " A Filha dos Trapalhões" (em parceria com os cômicos Renato aragão, Dedé Santana, Arnaud Rodrigues, e Gilvan Pereira-de "Os Trapalhões e o Mágico de Oroz" - mais Emanuel Rodrigues, o laureado "Avaeté" ( parceria com Zelito Viana, já entrevistado aqui), o drama sobre rito de passagem "A Cor do Seu destino" (com Jorge Durán, co-Roteirista de "Lúcio Flávio" e "Pixote") e o policial " O Rei do Rio" (com Fábio Barreto, Diretor de " O Quatrilho", "Índia", etc) e Durán. Atualmente recebendo muitos elogios por seu documentário " O Chamado de Deus". Joffily encaixou um tempo para conversar com o www.sitedecinema:

Lucélia Santos ( "Bonitinha Mas ordinária", "Engraçadinha"),
estrelou "Sonho Sem Fim", rodado em Brasília, DF

SC- Como o Cinema entrou na sua vida?

JJ- Eu trabalhava há anos como Fotógrafo de notícias, era o meu próprio patrão, viajava, voltava, preparava as pautas, editava as fotos e vendia este material para jornais, revistas, uma duas, três vezes, até que aquilo esgotava. Mas a remuneração acabava não cobrindo nem a viagem e uma matéria tinha que ser vendida muitas vezes para se pagar, e além disso eu concorria com asagências de notícias que vendiam suas matérias vinte ou trinta vezes. Tentei então, com um amigo que vivia na França, organizar a nossa própria agência, a "TemaPress", só que n|aotínhamos capital de giro para levarmos o negócio adiante. Assim resolvi Fotografia de Locação...

SC- Still?

JJ- Still. Daí me apresentei numa Produtora para fazer Still.

SC- Lembras qual foi o primeiro filme em que fizestes Still?

JJ- Sim. "As Aventuras de Um Detetive Português" ( com o astro Lusitano Raul Solnado e Nelson dantas)

SC- O ecletismo em seu trabalho é notório. Como se dá a sua conce´ção artística, ao escrever Roteiros tão distintos?

JJ- Você vai perdendo a sua personalidade originalno decorrer dos trabalhos. Antes de tornar-me Roteirista, eu fui Fotógrafo em inúmeros curtas da RioFilmes, de 1977 até 1981, todos com temáticas bem diferentes. Você não pode sempre escolher o projeto em que trabalhará, mas o ideal é sempre trabalhar naquilo que lhe interessa, pois só se fará bem aquilo que te interessar. Quando o projeto não te interessar, você deverá buscar um aspecto qualquer que tenha a ver com voc~e, com que você se identifique, algo que possa considerar seu, pessoal. A relação que eu mantenho com os meus Roteiros, varia, vai de fria à quente, distante à próxima. No "Parahyba..." o Roteiro foi baseado num capítulo de livro do meu pai ( José compartilha o nome de seu pai,famoso Historiador)

SC- Como foi sua parceria com Zelito Viana em "Avaeté"?

JJ- Ele tinha uma idéiainspirada num massacre indígena real (ocorrido no Mato Grosso em 1963). Juntos então desenvolvemos um argumento e depois o Roteiro que acabou sendo filmado.

SC- E no "Filha dos Trapalhões" , em que mais cinco pessoas foram creditadas?

JJ- Os Roteiros dos filmes dos Trapalhões, até onde eu sei, são um pouco precários, sempre dependendo da disponibilidade do grupo (hoje dois já faleceram) e principalmente do Renato, que além de astro, é o Produtor. Eu havia publicado dois livros de poesias na época, que ele gostavam muito, e daí generosamente me chamaram para escrever algumas cenas que seriam importantes para o desenvolvimento da história

SC- Agora eu gostaria de entrevistar o José Joffily DIRETOR. Como é traduzir visualmente o texto em imagens? " urubus e Papagaios", por exemplo, é uma comédia de costumes...

JJ- Uma chanchada. Eu fui Diretor contratado nesta ocasião. O Joaquim Vaz de Carvalho ( Produtor de "mauá" e co-Roteirista de "Luz Del Fuego") me chamou, e eu li o livro do Josué Guimarães em que o projeto se baseava ("Dona Anja") e nem gostei muito. Para entender melhor o trabalho do Josué, li toda a sua obra e me comovi muito com outro de seus livros, " Enquanto a Noite Não Chega" ( há mais de doze anos o projeto de longa desta obra continua a buscar financiamento). Isso era 1984 e eu não consegui ver um filme em "Dona Anja", pois girava em torno de divórcio, tema muito demodê, mas o Joaquim insistiu, e eu então busquei algo na história que me atraísse, e como costumava ir quando garoto ao Cinema assistir às chanchadas da Atlântida, dei este toque ao filme.

SC- Conte aos leitores do www.sitedecinema.com.br como funciona o seu trabalho de Direção de Atores? Trabalhastes com atores dos mais diversos backgrounds e escolas nos mesmos projetos como o novato-na época-Felipe Camargo-o veterano Nelson Dantas (em "Urubus..."), o elenco jovem de "Maldição de Sanpaku", os atores de teatro-mas inexperientes em Cinema-do premiadíssimo "Quem Matou Pixote?"

JJ- Eu gosto muito de preparar, investigar tudo sobre o personagem com o ator que irá interpretá-lo bem antes de começar a rodar, pois para mim, é um prazer descobrir isso junto do elenco. Tendo um ator excelente como eu já tive em meus filmes e poder compartilhar deste momento é para mim a fase mais encantadora de um projeto. Além disso, eu sou um ator frustrado.

NOTA: As informações entre parênteses foram colocadas pelo www.sitedecinema.com.br para ilustrar os talentos citados.  

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