Gente de cinema em depoimentos EXCLUSIVOS para o site.

Toca Seabra começou sua contribuição ao Cinema em '76, como Assistente de Pedro De Moraes (Fotógrafo de "Os Inconfidentes", "Guerra Conjugal", etc) no Documentário "Aleijadinho". Depois, como Foquista/Primeiro Assistente de Câmera de Antônio Penido (em "Beijo na Boca" e "O Bom Burguês"), de Edison Santos ( em "Rio Babilônia" e no elogiado Documentário "Egun-Gun"), e como Operador de Câmera (de Carlos Egberto) em "Espelho da carne" e "Águia na Cabeça" ( fotografado por A. Penido), apenas para citar alguns de seus trabalhos nacionais. Em produções internacionais , seu talento pode ser conferido em "Gabriela", no musical de Mick Jaegger "running Out of Luck" (nas tomadas aéreas de "Anaconda", na Fotografia adicional de "Orquídea Selvagem"), etc. Já como Diretor de Fotografia, comprovou o que muitos dos seus colegas de trabalho já apostavam: que seria um requintadíssimo profissional, aliando a sua bagagem cultural auto-didata a um olho clínico para composição e detalhes, vide "O Toque de Oboé" (rodado no Paraguay c/Paulo Betti ),"o policial "O Dia da Caça", e "Oriundi" (co-produzido e estrelado pelo Oscarizado Anthony Quinn e c/Betti novamente no elenco)

Toca Seabra

Qual filme que assististes lhe levou a decidir que irias trabalhar em Cinema, Toca?

- Qual filme? Hmmm..."Blow Up" (Direção: Antonioni)

Por sinal fotografado por Carlo DiPalma ( cerca de 13 anos depois, Toca seria seu Assistente em "Gabriela"), certo?

- Isso. Só que eu nem sabia o que era Direção de Fotografia quando assisti "Blow Up"! É que naquela época, os filmes-CABEÇA eram extremamente...muito...

Chatos?

- Chatos! Para um moleque de seus treze anos, sim.

E a tua experiência trabalhando com Bill Butler ( Diretor de Fotografia de "Tubarão" e "Grease-Nos Tempos da Brilhantina", etc), em Manaus, filmando "anaconda"?

- Olha, eu trabalhei onze dias...

Tomadas aéreas, correto?

- Isto, nestes onze dias, eu devo ter filmado uns seis, mas quando eu nào filmava, eu ficava pelo set com o Bill, observando, e realmente um filme com um orçamento com aquele, de seus U$40 000 000 é outro standard de trabalho. Foi genial estar ali...

Apesar de "O toque do Oboé" e "Oriundi" compartilharem um tema central- as mudanças ocorridas em determinhados grupos c/a chegada de forasteiros- ambos tem paletas de cor bastante diferentes. Além da diferença de orçamento entre os dois, o que o levou à interpretações visuais tão distintas? Até como citastes na brilhante entrevista que destes à jornalista Cláudia Cavallo, quando apelidastes o 'look' de "O Toque..." de EURO-LATINO e considerando o luxuoso e clássico visual de "Oriundi"...

- É verdade...o visual do "oriundi" é muito baseado no mundo do Giuseppe (o patriarca da família), na realidade, o centro do filme é ele, então o mundo dele prevaleceu na aparência geral do filme. Já em "O toque..."eu fiz o que eu pude.Eu só contava com 30kg de luz, que era o que a empresa de luz dispunha para mim. Toda a parte daylight (interiores com luz do dia) do filme ou foi feita com o dia falseado, ou nas tomadas exterioras passadas de dia na história, contávamos basicamente com luz natural rebatida e sedas para dar um efeito.

Muito uso de 'Noite-Americana" (simulação de luz noturna-ou ausência dela-em tomadas filmadas de dia)?

- As cenas de interior-noite sim.

O visual de "O Toque..."lembra-me alguns trabalhos de Affonso Beato (já entrevistado no www.sitedecinema.com.br) na espanha...

- É...pode ser; "O toque..."é um filme feito com pouca estrutura mas com uma boa bagagem cultural por trás. Que é o que sustentou o Cinema Italiano por muito tempo, o cinema Grego, o Português, etc. Até um pouco o Cine Brasileiro, só que o que realmente ficou famoso, foi o tipo de Cinema Brasileiro mais discursivo e menos de personagem.

Lembra um pouco também a foto do italiano Tonino Delli Colli "Pasqualino Sete Belezas", "Lacombe Lucien", etc..

- Olha, Marco...você como Cinéfilo ceramente viu muito Cinema Italiano, pois a minha geração e ageração anterior à minha assistiu muito ao Cine Italiano; Até me surpreende muito que um pais como aquele, limpo e sem aquel vetusta visão q outros países da Europa tem, tenha perdido quase que totalmente a sua influência cultural no mundo...

Já que estamos falando sobre a Itália e os Italianos, conte um pouco sobre o seu trabalho com Carlo Di palma (de "Divórcio à Italiana", "Segredo do Meu Sucesso", etc) em "Gabriela".

- Foi genial! No primeiro dia, ele já me deu um esporro, pois eu cheguei na hora marcada e para trabalhar como Segundo Assistente da Segunda Câmera, e fui abrir o caminhão de equipamento, e ele me chamou a atenção pois o que ele queria era que eu, às 07:00 já estivesse com a câmera pronta para rodar. na equipe havia um Italiano que era hierarquicamente superior a mim e o Cesar Elias ("Memórias do Cárcere", entre outros), que entre outras funções, era carregador de filme/loader de duas câmeras, aí vai um elogio a ele, que é um grande profissional, e nós fazíamos uma grande dupla!

Podes nos contar um pouco sobre o seu primeiro trabalho como Diretor de Fotografia em longas, no musical c/tema de Lambada "Pure Juice", que nunca foi lançado aqui no Brasil?

- Diretor (Stefanno Rolla) era um cara de Produção que acabou dirigindo, mas não era bom não

Era estrelado pelo Lorenzo Quinn (que também está em "Oriundi") e pelo Raul Gazolla, né?

- Isso mesmo!...Foi aí que conheci o Lorenzo...Mas a experiência foi muito legal, pois eu caí num projeto que eu não tinha nada pessoal a ver, e hoje eu sei trabalhar num esquema industrial, eu sei fazer uma Fotografia Industrial...

Como a sua Fotografia INDUSTRIAL difere da Fotografia , diríamos, ARTÍSTICA (pessoal)?

- Não só o ritmo, mais puxado, mais outra pessoa operava a câmera...eu gosto de eu mesmo operar, pois tenho maior controle no enquadramento, no que está aparecendo no fundo, na altura da câmera, e eu contratualmente era obrigado a iluminar os interiores com diafragma mínimo de quatro, pois já estava decidido pelo Diretor que ele iria usar zooms, principalmente nas cenas de dança, em interiores, o que me fez ter que usar uma quantidade bastante significativa de iluminação artificial.

NOTA: As informações entre parênteses foram colocadas pelo www.sitedecinema.com.br para ilustrar os talentos citados.  

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