Gente de cinema em depoimentos EXCLUSIVOS para o site. O Paulista Marcelo Durst é prova que a teoria que alega ser o talento hereditário tem embasamento; Vindo de uma família consagrada nas artes e filho de um dos maiores Cineastas (Diretor dos clássicos "O Sobrado", "Paixão de Gaúcho", Roteirista de "Toda A Vida Em 15 Minutos", "A Carrocinha"-este último um dos maiores êxitos na carreira de Mazzaropi) do Cinema Brasileiro e elogiadíssimo dramaturgo da TV nacional, o lendário Walter George Durst, Marcelo, antes de completar quarenta anos(!) já é um dos mais cobiçados Diretores de Fotografia de toda a América do Sul, tendo trabalhado para o mestre da ação John Woo, Diretor de "A Outra Face", "Fervura Máxima", "Missão Impossível2" (em famoso comercial da Nike), Cao Hamburguer (criador do "Castelo Rá-Tim-Bum"), etc
MF- Como iniciastes a tua carreira?
Marcelo- Bem, minha mãe, Bárbara Fazio, é atriz ("Fronteiras Do Inferno", "Doce Delírio", "Um Anjo Mau"-este último não confundir c/as telenovelas homônimas- etc), meu pai, sempre trabalhou na área, e minha irmã, Ella, é fotógrafa, portanto, sempre estive perto do meio...quando eu fiz 13 anos, meu pai me presenteou com uma câmera Super8mm, e isso, eu acho mudou a minha vida, pois começei a filmar tudo o que via pela frente: exposições de artes plásticas para a escola, etc. Depois, já na época da Faculdade, a partir do segundo semestre, notei que o que eu queria mesmo era fazer Cinema... MF - Quando conhecestes o Nelson Nadotti (de "Voz da felicidade", "Coisa Na Roda", "Deu Pra Ti, Anos '70", etc) e Cao Hamburguer ("Frankenstein Punk", "Castelo Rá-Tim-Bum", etc)?
Marcelo - O meu primeiro trabalho de maior importância foi o curta de animação quadro-a-quadro "Frankenstein Punk", que nos premiou em vários festivais, mas eu já havia trabalhado em projetos da faculdade mesmo, já que no terceiro ano tínhamos que apresentar trabalhos em 16mm e no último ano em 35mm; Todos queriam dirigir e como eu tinha mais afinidade com a câmera, até por ter experiência com o Cinema em 08mm e estudar muito Iluminação, fui fazer câmera, mas não sem antes até ter sido escalado para contracenar num curta da faculdade ao lado da Marisa Orth ("Doces Poderes", "Não Quero Falar Disso Agora", "Capitalismo Selvagem", etc)! Só que o Fotógrafo não apareceu e eu acabei indo fotografar o filme, chamado "Paixão20". Já o meu contacto c/o Cinema Gaúcho e com o Nadotti foi através de uma ida minha ao Rio Grande do Sul para participar de um Encontro Estudantil, e como vi que ele fazia curtase eu tinha habilidade com câmera em Super8mm nos aproximamos, vim a ficar amigo dele, anos mais tarde, quando filmava, como Assistente de Câmera do excepcional Cezar Charlone (Diretor de Fotografia de "Todos Os Corações do Mundo", "O Homem da Capa Preta", Operador de SteadyCam em "Besame Mucho") em "Feliz Ano Velho" ('87) MF - Quando conhecestes o Beto Brant ( "Dov'e Meneghetti", "Os Matadores", "Ação Entre Amigos", etc)? Foi na faculdade em São Paulo?
Marcelo - O Beto é mais jovem que eu, ele não fazia parte do grupo dos super-oitistas, mas eu conhecia a sua atual esposa, que naquela época, namorava com ele. Ele , quando mais tarde precisou de um Diretor de Fotografia, e daí me procurou. No meu grupo de faculdade várias pessoas também acabaram fazendo trabalhos importantes, como: Tata Amaral ( Diretora de "Um Céu De Estrelas", "Através Da Janela", etc), Fernando Bonassi ("Através da Janela", "Os Matadores", etc); O Cao, que estudava Geografia, era conhecido como o cara que dominava animação, etc MF - Fostes Assistente de Câmera?
Marcelo - Sim, já no meu último ano de faculdade, começei a trabalhar, lado a lado com os curtas, em comerciais de TV, que foram uma grande escola para mim. Nos sets de anúncios publicitários trabalhei com o Diretor de Fotografia Kimihito Kato... MF - Ele fotografou "O Homem Do Pau-Brasil", em '80!
Marcelo - Sim,só que quando fui seu Assistente, ele fazia muita publicidade. Ele teve uma importância muito grande na minha carreira e na Fotografia feita em São Paulo, pois o Kato vinha de um a experiência enorme em Documentários no Japão, filmando vulcões, guerras no Oriente...ele era um excelente técnico! De longa-metragem Brasileiro, ele só fez mesmo "O Homem Do Pau-Brasil", já comerciais, ele fotografou milhares e milhares... MF -Muito mal-lançado nos cinemas, por sinal...pouquíssima gente conhece o filme "O Homem..."
Marcelo - Eu trabalhei como Assistente do César Charlone (Diretor de Fotografia em "Feliz Ano Velho", "O Homem Da capa Preta", etc) e com Adrian Cooper (Diretor de Fotografia de "O Beijo", "Romance", "País Dos Tenentes") MF - "O Beijo"é aquele com o falecido Chiquinho Brandão (do excepcional "Anjos da Noite"), certo?
Marcelo - Isso mesmo... Daí, eu fui filmar em Portugal, "O Judeu" e... MF - Fostes assistente de Eduardo Serra ( "Tango-A Dança Dos Desejos", "O Perfume De Ivone", "De Corpo Fechado", etc), então? Desculpe, te interrompi...
Marcelo - (risos) Tudo bem, é otimo, pois você já sabe tudo! Foi uma experiência incrível, pois este foi o meu último filme como Assistente mesmo...fui um acaso do destino este trabalho, pois o Produtor era o Cláudio Khans (do multi-premiado "Marvada Carne"), o mesmo do filme que eu recém tinha feito, o "Feliz Ano...", já o Diretor de Arte de "O Judeu" era uma pessoa que eu me dava muito bem, o Adrian Cooper (Cenógrafo de "Marvada Carne", "Sonho Sem Fim", Fotógrafo de "País dos Tenentes, etc) e eu fui chamado pois os assistentes de Câmera não estavam dando certo lá na locação européia...eu vou te falar um pouco dele: naquela época, ele apesar de ter feito mais de quarenta filmes como Assistente de Câmera, "O Judeu" era APENAS o seu vigésimo filme como Diretor de Fotografia. Ele é um cara legal, que se mandou para a França na época do Salazar e foi lá que ele fez toda a sua carreira! MF - A carreira dele é extremamente elogiada na Europa, ele é uma espécie de Phillipe Rousselout ("Floresta das esmeraldas", "Nada É para sempre", "Ligações Perigosas", etc)
Marcelo - isso. Ele é um dos melhores do mundo! Ele fala Português, com sotaque de Portugal, é claro, mas toda a escola Cinematográfica dele é Francesa! Quando eu cheguei lá no set de filmagens Português, a situação foi meio estranha, pois ele não havia gostado da idéia de trabalhar com um Assistente imposto pela Compania Produtora Brasileira, um cara vindo de um país em que ele nem sabia ter/fazer Cinema. Depoisde uns dias trabalhando com ele, o Serra até veio assim meio sem-jeito comentar que estava surpreendido com o meu trabalho e tudo o mais...tempos depois até nos encontramos na França quando "O Judeu" acabara de ser filmado e jantamos juntos... Quando eu voltei para o Brasil, estávamos naquela época do Collor, e o meu longa de estréia como Diretor de Fotografia, o "Não Quero Falar Disso..." (dirigido por Mauro Farias, já entrevistado aqui no site), apesar de muito premiado em Gramado, de contar com um ótimo Roteiro e tudo o mais, foi super mal-lançado, o que me frustrou muito. O Mauro é ótimo,e quem me apresentou a ele e ao projeto foi a Fernanda Torres ("Eu Sei Que Vou Te Amar", "Beijo", "Marvarda carne", etc) que eu havia conhecido nas filmagens de "O Judeu", e que ia trabalhar no filme do Mauro, mas que acabou não podendo. No filme do farias eu conheci o Breno Silveira (Fotógrafo de "Carlota Joaquina", "Eu, Tu, Eles", "Gêmeas", etc) que era da Publicidade. Só para te dar uma idéia, em Sampa até hoje nào foi lançado...foi apresentado em São Paulo só numa seção especial no Cine Sesc! Foi na época do plano Collor! Apesar de neste ano eu estar muito ativo em Publicidade... MF - 92, correto?
Marcelo - Deixa eu ver...'92! Exatamente...como eu dizia, apesar de eu estar ativo em publicidade na época, foi super-frustrante fazer um filme bom pacas como aquele e não conseguir que fosse visto! Assim eu me mudei para Hollywood, para ver no que daria...por outro lado, meus conhecimentos de Inglês eram inexistentes, assim, pensei que no mínimo aprenderia o idioma. M F- E o thriller erótico "Discreção Assegurada" (filmado no Rio, com capital Americano e estrelado por Michael York- "Cabaré", "Romeu&Julieta", "Assassinato no Oriente Express"- Dee Wallace- "Cujo", "E.T.", "Admiradora Secreta"-Jennifer O'Neill, de "Rio Lobo", "Houve Uma Vez Um Verão", "O Inocente"; Tamara Taxman- "Batalha dos Guararapes", "Luz Del Fuego", "Romance da Empregada", Will Kepper- visto em "Rajada de Fogo"-'90) em '93?
Marcelo - O Odorico Mendes (Diretor e Fotógrafo de vídeo-clipes e comerciais publicitários) decidiu apenas dirigir o filme e me convidou para fotografar este thriller. Eu entrei quatro dias antes, só que eu não falava nada de Inglês, fiquei então, amigo de dois dos atores do filme, o Grainger Hines ("protocolo", "Justiceiro da Noite", "Operação Resgate", etc) e o Will. As filmagens acabaram em Julho e em Dezembro fui para a California...locando um apartamento que o Kepper tem em Venice Beach. Depois me matriculei num curso de Inglês no Santa Monica College, conheci um pessoal que também curtia Cinema e fui indo... MF - Foi neste período em que fizestes "Sedução do mal-Os Diários de Nosferatu" ('94), correto?
Marcelo - Aí pintou este filme, só que eu não fui Diretor de Fotografia nele... MF - Eu sei, foi o Suki Mendecevik, de "Jogos Proibidos2", "Relação Indecente2"/ "Instinto Sedutor" quem fez a Direção de Fotografia. Fostes Fotógrafo Adicional, certo?
Marcelo - O pessoal da turma de curtas me indicou para a Diretora do filme, a Anne Goursaud (dirigiu "09 Semanas e Meia de Amor2"; Editou "Vidas Sem Rumo", "IronWeed", "Fundo do Coração", etc), que é uma pessoa muito legal. Ela já estava com o filme dela pronto só que faltava uma abertura grandiosa, que chamasse a atenção. Ela viu o meu portfolio, cheio de comerciais, achou legal e daí eu fotografei a tal abertura. Mas também legal foi a minha experiência por esta época fazendo um projeto que nunca foi lançado sobre uma conspiração por detrás do assassinato do John lennon. Era um pseudo-documentário todo com câmera na mão, tudo sob o ponto de vista de uma equipe fictícia com duas câmeras que investiga oque supostamente teria ocorrido com o John logo antes de sua morte. A idéia...como vês, muito legal, mas o dinheiro era quase inexistente, o filme acabou muito ruim e o Cyro Lanzana, o Filipino que dirigiu o filme, nunca finalizou o "The "Lennon Conspiracy". Apesar de tudo, foi uma experiência maravilhosa para mim...para preparar-me para o filme, eu assisti um filme, tipo um semi-documentário...chamado "Cooler", algo "Cool"... MF - "Não estás te referindo ao "Medium Cool", aquele misto de documentário e ficção dirigido pelo Haskell Wexler (Diretor de Fotografia de "3 Fugitivos", "Amargo Regresso", "Estranho no Ninho", etc)?
Marcelo - Isso! Peraí, deixa eu anotar, pois sempre esqueço o nome deste filme! O "Medium Cool"é interessantíssimo, é todo feito com a câmera na mão, e a câmera assume uma posição de personagem! MF - Esta experiência não te ajudou na filmagem de "Estorvo" em '99?
Marcelo - Aí você tocou num ponto importante! O "Estorvo" é um "Medium Cool" levado ao extremo! (risos) MF - Voltando um pouco no tempo, podes falar sobre as tuas experiências nos filmes "Os Matadores" ('95)e "Ação Entre Amigos"('96-'97) que foram filmados um logo depois do outro?
Marcelo - mais ou menos na época em que o "Lennon ..." ficou parado por falta de verba...eu estava no Brasil, e como o Brant recém havia voltado do Paraguay, país em que ele pesquisou a vida dos assassinos profissionais, ele começou a formar a equipe de "Os Matadores", e como ele já me conhecia do "'...Meneghetti" ele me chamou. Eu li o trabalho que estava sendo roteirizado e se passava todo em fronteiras, com bastante ação e a minha proposta fotográfica baseou-se nas três histórias paralelas dos três matadores enfocados na trama. Os tons de cor nas cenas do Chico Diaz ("Corisco&Dadá", "Amazon", "Luzia Homem", etc) lembram um clima de passado, memória, quase surrealistas, isso pois o seu personagem é mítico, idealizado, quase folclórico...não sépia, mas certamente um tom mais quente. O personagem do Murilo Benício ("Amores Possíveis", "Sabor da Paixão", "até Que a Vida Nos Separe", etc) é um garotão, dai optamos por tons mais coloridos e o do Wolney de Assis- consagrado ator de Teatro de origem Gaúcha, estreando no Cinema- é mais contrastado (ele é um pai de família e pistoleiro profissional). Estabelecemos uma espécie de código para as cores e também em função do que era possível, em termos de locações e também do seu baixíssimo orçamento. Sabíamos que não haveria muito tempo nem grana para múltiplos takes e tudo o mais. (risos) MF - E "Ação Entre Amigos"?
Marcelo - Como a equipe era praticamente a mesma, e já tínhamos, com "Os Matadores" formado um núcleo de trabalho, tudo foi muito mais preparado, a interação entre todos já era bem mais fácil. Éu e o Brant, sempre gostamos de filmar no formato de tela larga Anamorphic, só que em "Os Matadores", não tínhamos as mínimas condições técnicas para tanto, apesar de saber que este seria um formato legal para as filmagens ao ar-livre no Paraguay. Já no "Ação...", cuja produção foi bem mais organizada, e daí, filmamos usando o sistema Super35, aproveitando que na tela sempre estariam quatro personagens e nenhum deles era para ser mais importante que o outro. MF - Daí fostes ator e câmera na premiadíssima mini-série da TV a cabo "From The Earth To The Moon", co-produzida e co-estrelada pelo Oscarizado Tom Hanks. Qual filme para Cinema fizestes depois desta sua incursão televisiva?
Marcelo - Deixa eu ver..."Estorvo" ('98). M F- "Estorvo"foi filmado ANTES de "Castelo Ra-Tim-Bum"? Como foi trabalhar com o Ruy Guerra?
Marcelo - Sim. O Ruy Guerra (o consagrado Cineasta de origem Moçambicana de "Ópera do Malandro", "Os Cafajestes", "A Fábula da Bela Palomera", etc) é um profissional muito bacana e generoso e muito me elogiou nas entrevistas que deu quando do lançamento do filme e suas exibições em mostras e festivais. Eu sempre admirei muito o Ruy, na minha opinião, um dos melhores do CinemaNovo...gosto muito do "A Queda" (co-dirigido pelo astro Nelson Xavier, visto em "O Mágico e O Delegado", "Luar Sobre Parador", "Cidade Ameaçada", etc), "Os Fuzis", etc. MF - Como foi o seu primeiro contacto com ele?
Marcelo- Ele me mandou o Roteiro e me mandou ler o livro. Eu achei o livro pouco cinematográfico e difícil...daí quando fomos ter uma reunião, eu antes decidi ver tudo do Ruy, tudo que eu já tinha visto e os poucos que nào conhecia...ele me disse durante o encontro, que gostaria de realizar algo mais na linha das primeiras obras dele, com uma câmera "não-instalada"ou seja, sempre móvel e nervosa, com uma linguagem não-descritiva, decidimos que a câmera deveria estar sempre na mão, sempre viajando na paranóia do personagem principal. MF - É verdade que criastes lentes especiais para o filme (as inovações técnicas desenvolvidas por Durst culminaram na sua premiação como Melhor Direção de Fotografia no Festival de Cine de Gramado 2000 e na sua indicação na mesma categoria no Grande Prêmio Brasil de Cine 2001, além de premiações da Sociedade de Críticos de São Paulo e do Festival de Cine de Viña Del Mar)?
Marcelo- É...aí como eu estava voltando em poucos dias para Los Angeles, decidi pesquisar por lá como fazer as cenas de "estorvo" em que vemos tudo através do Olho Mágico da porta. MF - Normalmente cenas c/este ponto-de-vista são feitas com lente grande-Angular, correto?
Marcelo- sim, só que também queríamos a borda ao redor do Olho Mágico! Descobri então numa empresa especializada lá na California uma lente em que eu poderia usar pedaços dela e usá-la ao contrário, depois eu achei uns acrílicos que quando torcidos poderiam estabelecer este ar de esquizofrenia do personagem. Decidimos filmar num estilo "preto-e- branco em cores", ou seja uma unidade cromática para todo o filme em que através do "bleaching" (processo de revelação em que a camada de prata do filme é mantida), assim deixando tudo tão contrastado que parece preto-e- branco! MF - Mas lembro-me de cenas no filme, como as que o protagonista Jorge Perrugoría ( "Morango&Chocolate", "Guantanamera", "Navalha Na Carne-'98", contracena com a ótima Bianca Byington ("Garota Dourada", "Tormenta", "For All") em que a aparência do filme é mais clássica.
Marcelo- O que ocorreu foi o seguinte: iniciamos o filme em Cuba, logo concluímos que as cenas em que o protagonista tinha contacto c/outros personagens, e ia para uma área mais rica da não-citada metrópole em que vivia, teriam que ser rodadas em outro lugar...a gente ia ter que arranjar tudo, já que ali na ilha não dava...as cenas em Cuba, foram "fundo" na questão do 'preto-e-branco em cores' que há pouco conversamos, até por que Havana não tem pintura, tudo parou de ser colorido na revolução e hoje em dia está descascando. Tentamos o tempo todo filmar em contra-luz, para adicionar a atmosfera necessária para o filme e o sistema de 'bleaching' também conhecido por 'silver retaintion' , sempre observado na pós-produção. Daí fomos para o Rio de Janeiro e lá achamos uma locação boa para a casa da personagem 'irmã' (Byington), só que não nos ajudava no quesito iluminação, na contra-luz. Daí o próprio Guerra comentou que seria uma boa aproveitar esta situação e incorporá-la ao filme, considerando que eram cenas mais ricas... MF - Operastes a câmera no "Estorvo", certo?
Marcelo- Como mais de 90%do filme era para ser rodado com a câmera móvel, ágil, na mão, achamos melhor que a câmera, que ia ser operada por mim, fosse como um personagem da trama, iria dar um ar, um olhar mais humano, vivo, à história. O Ruy foi sensacional nisso, pois dirigiu-me como se eu fosse um ator naquela história, dizendo com antecedência cada emoção que eu teria que passar... MF - Interessante mesmo, Marcelo. Podemos pular agora para o seu trabalho posterior ao "Estorvo", o elogiadíssimo "Castelo Rá-Tim-Bum: O Filme" (1999)? Sei que usastes muito equipamento de luz, para iluminar aqueles gigantescos cenários criados pela vera Hamburguer ("O Menino Maluquinho", "A Ostra E O Vento", "Amor&Cia", etc) e o Clóvis Bueno ("Brincando Nos Campos Do Senhor", "Beijo Da Mulher-Aranha", "Os 3 Palhaços", etc). Imagino que tenha trabalhado quase que lado-a-lado com os cenógrafos, certo?
Marcelo- Com certeza, Marco! Não apenas a cenografia, mas foi decidido pelo Cao Hamburguer que mudaríamos um ponto crucial na adaptação para o Cinema: usaríamos um garoto no papel do bruxinho. Naquele momento eu interpretei aquilo como uma mudança no gênero do filme...passaria de uma comédia farsesca-como é na TV-para uma aventura, e a minha concepção visual partiu daí. Decidi então manter a câmera constantemente no nível de visão dos meninos da história, e filmamos em , super35, adicionando um ponto-de-vista bem cinematográfico e subjetivo, acompanhando a garotada em suas correrias pelo castelo. Mas antes de iniciar o trabalho, eu o Cao, e os Desenhistas de Produção, Vera e Clóvis, tivemos várias reuniões, e o Bueno, que apesar de veterano era experiente em filmes mais realistas, acabou embarcando conosco numa boa nessa fábula, e inclusive bolou os créditos iniciais do filme!! NOTA: As informações entre parênteses foram colocadas pelo www.sitedecinema.com.br para ilustrar os talentos citados.
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