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Gente
de cinema em depoimentos EXCLUSIVOS para o site.
Oriundo do Teatro
Chileno, Jorge Durán escreveu para o Teatro Amador, além de dirigir
peças no seu país natal. Dos 17 aos 27 anos, trabalhou em inúmeras funções
nos palcos -inclusive como ator- e formou-se em Teatro na Universidade
do Chile. Mas, ao encontrar-se com o polêmico Cineasta Hélvio Soto ("Chove
Sobre Santiago", "ABC do Amor"-episódio 'Mundo Mágico', etc) no final
da década de 60 numa viagem pela França, foi convidado a trabalhar com
ele como Assistente de Direção no controverso "Voto Más Fusil" (realizado
em '69). Durán foi também contratado como Assistente do Grego Constantin
Costa-Gavras em "Estado de Sítio', filmado no Chile, e de Hélvio novamente
em "Metamórfosis de Um Jefe de Policia" (ambos de '73). Com Pinochet no
poder, só restou a Jorge exilar-se. O país escolhido como seu novo lar
foi o Brasil. Abaixo apresentamos trechos da conversa informal que o Co-Roteirista
de obras aclamadas do Cinema como "Doida Demais" (escrita com Sérgio Rezende"em
'88), "Maldição de Sampaku" (Melhor Filme no FestGramado '92, escrito
em parceria com José Joffily), "Como Nascem Os Anjos" (em parceria com
M. Salles e N. Nadotti), "Mi Último Hombre" (realizado em Santiago, Representante
do Chile em Cannes e no FestGramado '96) e muitos outros filmes que marcaram
época no Cinema Latino-Americano fez com o Editor Marco A. S. Freitas.
Boa leitura!
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Durán
atualmente prepara um Roteiro com Roberto Gervitz (Diretor de "Feliz
Ano Velho", Diretor de Segunda Unidade de "Brincando Nos Campos
do Senhor", etc)
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MF-Como
foi a sua adaptação e introdução ao meio Cinematográfico Brasileiro?
Durán- Bem, escrever eu não podia, pois o meu Português não
existia (risos), mas eu tinha muita experiência como Assistente de Direção.
Daí trabalhei em "Ipanema, Adeus", "O Rei da Noite" (ambos de '75),
"Cordão de Ouro"('77); E muitos outros... Daí o Hector Babenco ("O Beijo
da Mulher Aranha", "IronWeed", "Brincando nos Campos do Senhor, etc),
me convidou para adaptar a obra do escritor José Louzeiro baseada na
vida de Lúcio Flávio. O Hector já havia feito uma versão com o Louzeiro,
e depois eu e o Babenco nos juntamos para fazer outra versão do Roteiro,
que assim acabou assinado por seis mãos ("Lúcio Flávio- Passageiro da
Agonia" foi lançado em '77 em todo o país e foi um mega-sucesso de público
e crítica)
MF- Um
trabalho seu que eu gosto muito é o Roteiro para "Gaijin", feito em parceria
com"Tisuka Yamasaki ( Diretora de "Parahyba, Mulher Macho", "Lua de Cristal",
etc. Produtora de "Bete Balanço"). Como foi que o senhor envolveu-se nesse
projeto?
Durán- Cerca de três anos depois de "Lúcio...", a Tisuka me
procurou para ajudar no seu Argumento, que era bastante autobiográfico;
Eu fiz uma longa e trabalhosa pesquisa, tanto que muito do que acontece
no filme, foi tirado de material publicado em jornais de época.
MF-É
mesmo?
Durán-É. A chegada do avô, a ida dele à fazenda para trabalhar,
tudo isso era inspirado na vida da família da Yamasaki. Muito foi adicionado
depois ao Roteiro, também inspirado em acontecimentos de outros imigrantes.
MF- O
senhor está envolvido com o projeto "Gaijin2"?
Durán- Sim, eu escrevi o Roteiro com a Tisuka, só que depois
de voltarmos do Japão, aonde pesquisamos muito sobre os Dekasseguis,
devido ao orçamento um pouco apertado, mudamos o Roteiro...antes, a
maioria do filme se passava no Japão; Agora, grande parte passasse no
Brasil e um pouquinho só no Oriente.
MF- Como
foi escrever "Pixote" ('80), desta vez usando o Romance-repotagem "Infância
dos Mortos", de José Louzeiro?
Durán- Ficamos uns três meses intensamente coletando depoimentos
de pessoas e suas experiências em reformatórios. O resultado foi escrito
por mim com o acompanhamento do Babenco
MF- E
pensar que aquela situação apresentada no filme está bem pior hoje...
Durán- Interessante é que o filme foi muito criticado na época
aqui no Brasil, devido à visão negativa que demos àquelas instituições...na
verdade, apesar de sermos chamados de agressivos, violentos e sensacionalistas
por parte da crítica, a realidade naquela época já era muito pior do
que a mostrada em "pixote", pois apesar de meninos, muitos dos encarcerados
já eram veteranos e experientes em matéria de criminalidade...uma situação
praticamente sem saída...
MF- Na
verdade, me parece que a saída existe, sim...como vemos continuamente
nos meios de comunicação, a saída daqueles verdadeiros centros de criminalidade
é feita através de rebeliões, levando reféns e tudo o que tiver pela frente...
Durán- Muitas vezes com a ajuda dos carceireiros...
MF- Em
'82, foi lançado nas salas exibidoras do país, "O Sonho Não Acabou", escrito
pelo senhor, José Joffily (Diretor de "Urubus e papagaios", "Quem Matou
Pixote?", "A Maldição de sampaku", etc) e Sérgio Rezende (Diretor de "Guerra
de Canudos", "O Homem da Capa Preta", "Quase Nada", etc). Conte um pouco
sobre essa experiência...
Durán- A primeira versão foi escrita pelo José e o Sérgio
e a final, contou comigo e eles colaborando...o ideal seria que eles
estivessem aqui contando um pouco o que eles fizeram...o Roteiro sofreu
uma transformação no seu processo final de escrita, mas acho que foi
para melhor...o resultado final ficou interessante.
MF- E
a sua participação no Argumento de "Nunca Fomos tão Felizes"?
Durán- Na verdade, o Diretor Murilo Salles (Diretor de "Faca
de Dois Gumes", "Assim Nascem Os Anjos", "Todos Os Corações do Mundo",
etc) havia feito uma primeiro tratamento do Roteiro inspirado num conto...
MF-No
conto "Alguma Coisa Urgentemente", de João G. Noll...
Durán- Correto. O Murilo fez uma adaptação com o Alcione Araújo
("PátriAmada", "Vagas para Moças de Fino Trato", "Outras Estórias",
etc). Daí trabalhamos mais de dois meses reformulando aspectos com o
Murilo. Gostei muito de trabalhar com o Murilo; Já o conhecia há anos
(Salles fotografou "Dona Flor..."; Jorge foi Assistente de Direção no
filme).
MF- Fale
um pouco sobre o seu trabalho em "O Rei do Rio"
Durán- Me foi passado o texto da peça de teatro "O Rei de
Ramos", peça que por sinal, nunca gostei muito; Daí pedi para ler o
texto da telenovela "Bandeira 2" (novela dos anos 70, base para a peça),
escrita pelo Dramaturgo Dias Gomes e adorei!
MF- O
filme não lhe pareceu um pouco confuso e inconsistente da metade para
o fim?
Durán- "O Rei do Rio"começou sem Diretor! O Bruno Barreto
("Dona Flor...", "Atos de Amor", "Romance da Empregada", etc) ia dirigir
o filme, mas mudou-se para os E.U.A., daí, até o Fábio Barreto ( "O
Quatrilho", Índia-A Filha do Sol", "Luzia Homem", etc) assumir a Direção,
eu fiquei trabalhando no Roteiro. Quando ele decidiu dirigir, eu já
estava com outros compromissos profissionais, então convidei o Joffily
para que continuasse o trabalho.
MF-Conversando
com o talentoso José Joffily, ele me contou que vocês conheceram-se nas
filmagens de "Tudo Bem" ('77), não foi?
Durán- Ele enganou-se! Trabalhamos primeiro em "O Casamento"
('75); Pois foi um dos primeiros biscates que eu consegui no Brasil,
pois estava realmente necessitado de dinheiro. Eu fiz Continuidade no
filme. O Diretor do filme, Arnaldo Jabor ("Eu Te Amo", "Eu Sei Que Eu
Vou Te Amar", "Toda a Nudez Será Castigada", etc) teve a generosidade
de me ajudar!
MF- Em
'85, o senhor dirigiu "A Cor Do Seu Destino", que conquistou posteriormente
11 prêmios nos Festivais de Havana e Brasília, após ser ovacionado em
exibições especiais. Como foi a sensação de traduzir do papel para a tela
o seu texto (escrito com Nelson Nadotti- Diretor do curta "A Voz da Felicidade",
do longa "Deu Pra Ti, Anos 70, com Giba A. Brasil, Co-Roteirista do belo
"Sonho Sem Fim", etc e Joffily).
Durán- Olha, eu não gosto de escrever para mim! Parece paradoxal,
mas é a verdade. (risos) Eu estava com muita dificuldade para angariar
fundos para um projeto que eu pretendia fazer na Bolívia, e então, como
eu tinha ganho já um concurso com o Roteiro do "A Cor do Seu Destino",
parti para esse projeto. Pena é que eu havia ganho um concurso, mas
dinheiro para fazer o filme no Brasil, também não tinha. Daí quando
me deram dinheiro, eu reformulei este Roteiro, eu tinha a idéia básica
do filme, mas não sabia o que fazer com ela...também estava sem tempo...chamei
estes colaboradores para desenvolver esta premissa da família Chilena,
que morava no Brasil, etc.
MF- O
resultado final, o filme quando pronto, ficou do seu agrado?
Durán- Sim, ficou bem próximo do que eu tinha na cabeça...
MF- "A
Cor..."fez uma bela carreira nos cinemas, certo?
Durán- Sim, principalmente sendo exibido fora do Brasil, na
Alemanha, etc
MF- Lembro
bem de uma crítica extremamente favorável na bíblia do 'showbusiness'
Norte-Americano, a revista 'Variety'...nos países de língua Inglesa, chamava-se
"The Color Of Destiny"
Durán- Isso, as críticas por onde quer que passasse
foram de boas a muito boas...
NOTA: As informações entre parênteses foram colocadas pelo
www.sitedecinema.com.br para ilustrar os talentos citados.
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