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Johnny Depp dá brilho a Piratas do Caribe
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Estréias de cinema em todo o Brasil
Acontece nas Melhores Famílias

título original It Runs in the Family
gênero Comédia,Drama
ano 2003
país de origem Estados Unidos
distribuidora Buena Vista
duração 109 min.
classificação 14 anos
língua Inglês
cor Colorido
som DTS Dolby SDDS Digital
diretor Fred Schepisi
elenco Michael Douglas, Kirk Douglas, Rory Culkin, Cameron Douglas
Resenha
A primeira coisa que chama a atenção em Acontece nas Melhores Famílias é sem dúvida a presença de Michael Douglas e seu pai, Kirk Douglas, juntos num filme pela primeira vez. Mais do que isso, porém, é o fato de o diretor Fred Schepisi ter conduzido de maneira reflexiva uma comédia familiar que poderia ter sido piegas e previsível.
O filme oscila entre registros cômicos e dramáticos. É feito para o público de todas as idades, mas seu ritmo calmo o torna especialmente atraente para platéias mais velhas.
Em seu maior papel desde que sofreu um acidente vascular cerebral, Kirk Douglas mostra que ainda consegue dominar a telona com sua presença de astro.
O filme, ambientado numa Manhattan estilo Woody Allen, introduz os membros da família um por um. O advogado Alex Gromberg (Michael Douglas) e sua mulher, a psicóloga Rebecca (Bernadette Peters), vivem num loft com seus dois filhos, Eli (Rory Culkin) e Asher (Cameron Douglas).
Eli tem uma queda por uma colega de classe, a bad girl Abby (Irene Gorovaia). No caso de Asher, porém, seu hábito de cochilar na aula de literatura é uma das razões que impedem que sua colega inteligente e bonita Peg (Michelle Monaghan) retribua o sentimento que Asher tem por ela.
O patriarca, Mitchell (Kirk Douglas), sofreu um derrame no ano anterior e se aposentou da firma de advocacia que ele próprio fundou - e onde Alex trabalha. Agora está tentando se ajustar a uma vida mais tranquila ao lado de sua mulher, Evelyn (Diana Douglas).
O lado progressista de Alex vem à tona quando ele defende um cliente que não pode pagar e trabalha como voluntário numa cantina que serve sopão para pobres, onde é assediado agressivamente por outra voluntária, Suzie (Sarita Choudhury).
O clã todo se encontra para passar a Páscoa judaica juntos, ocasião que dá espaço para uma série de embates entre Mitchell e Alex.
A parceria entre os Douglas mais famosos, Kirk e Michael, nunca chega a ser exatamente mágica, mas mostra seu lado melhor nos momentos tranquilos, quando pai e filho recorrem a emoções não verbalizadas para revelar algo que ultrapassa os limites de uma disputa familiar comum.
Piratas do Caribe

A Maldição do Pérola Negra
título original The Pirates of the Caribbean: Curse of the Black Pearl
gênero Aventura
ano 2003
país de origem Estados Unidos
distribuidora Buena Vista
duração 143 min.
classificação livre
língua Inglês
cor Colorido
som DTS Dolby SDDS Digital
diretor Gore Verbinski
elenco Johnny Depp, Geoffrey Rush, Orlando Bloom
Resenha
Piratas do Caribe. Só de ler esse nome te dá arrepios? Pois se tratando de uma produção Disney não tem com o que se preocupar. Apesar de fazer a linha "café com leite", o filme surpreende em muitos aspectos: conquistou a platéia teen americana (batendo filmes como O Exterminador do Futuro 3), mesmo abordando um assunto tão batido como a pirataria, e dá a Johnny Depp a chance de ter uma das melhores atuações de sua carreira.
A história se passa no Caribe, no final da década de 1720, quando o mar ainda era dominado pelos piratas. Depp vive o malandro e charmoso capitão Jack Sparrow, um sujeito que vê sua liberdade e a vida boa de pirata de pernas para o ar quando o ardiloso capitão Barbossa (Geoffrey Rush) rouba seu navio, o Pérola Negra e, em seguida, ataca a pacata e aristocrata cidade de Port Royal, seqüestrando a filha do governador, a bela e espevitada Elizabeth Swann (Keira Knightley).
Depp, aliás, merece um capítulo à parte nessa produção. O ator, que elaborou o personagem enquanto lia o roteiro em sua sauna, teve toda a liberdade dos estúdios, do produtor Gore Verbinski e do diretor Jerry Bruckheimer para definir a atitude e a aparência de Jack. O ator afirma ter criado o personagem inspirado no lendário guitarrista do Rolling Stones, Keith Richards, com um pouco do personagem dos desenhos animados, Pepe Legal, e um toque de um rastafari dos dias atuais. Todo o filme tem seu charme, seu toque. Jack é um canastrão, mas não deixa de ser boa praça. Por onde passa e em cada cena, transforma o personagem, tornando-o mais humano e mais leve.
Elizabeth, a mocinha da história, está prometida para o ambicioso comodoro Norrington (Jack Danvenport), mas é apaixonada por Will Turner (Orlando Bloom), o amigo de infância que conheceu e salvou de um naufrágio depois que o barco do garoto foi atacado por piratas no Caribe. Will é ferreiro na ilha, mas guarda uma paixão secreta pela garota, já que não se imagina um dia a seu lado. Sua chance de conquistar a bela é aliar-se a Jack e partir em busca do Pérola Negra, onde está o seu amor. Atrás dos rapazes, vem a comitiva de Norrington. Pena que o veterano e excelente Jonathan Pryce, que vive o governador Weatherby Swann, tenha um papel tão pequeno e sem importância na trama.
A jovem nutre uma curiosidade mórbida acerca dos piratas, lê livros demais e vive em um mundo de fantasias. Apesar de estar no século XVIII, a jovem parece ser do século XXI. Briga com seu pai por não querer se casar com o Comodoro e, ao longo de todo o filme, descobre que o mundo é muito mais cruel do que ela imagina. A jovem perde as roupas apertadas e os frufrus para ganhar um visual mais arrojado e decidido. Na única cena constrangedora - em que a aristocrata corre o risco de ser violentada -, os estúdios mantêm sua tradição politicamente correta e impedem a violência. A atriz inglesa de apenas 17 anos dá conta do recado e consegue conquistar a empatia do público e dos bonitões que a disputam no filme.
Will não sabia que seu falecido pai também havia sido um pirata, que amaldiçoou um tesouro e condenou Barbossa e a tripulação a viverem para sempre como zumbis, sendo transformados sob a incidência da luz do luar em esqueletos. A dupla Ted Elliot e Terry Rossio, do premiado Shrek, aliás, encontrou um jeito muito interessante de narrar uma história tão batida. Os piratas precisam da última peça do tesouro e do sangue de um parente de quem lançou a maldição para que possam sentir de novo os prazeres do mundo de carne e osso. A maldição permite que o grupo fique com as riquezas e continue com seus atos criminosos, mas não pode desfrutar de nada. E para piorar a situação, os piratas pensam que Elizabeth é quem eles estão procurando, já que quando é capturada dá como sobrenome o de Will Turner.
Jack, Will e os aristocratas rumam para um confronto com os piratas de Barbossa na misteriosa Ilha dos Mortos. Em risco estão a vingança de Jack Sparrow, o Pérola Negra, a fortuna do tesouro proibido, o fim da maldição, a sorte da Marinha Britânica e as vidas dos nossos bravos heróis.
Regras da Atração

título original The Rules of Attraction
gênero Comédia,Drama
ano 2002
país de origem Estados Unidos
distribuidora Imovision
duração 110 min.
classificação 18 anos
língua Inglês
cor Colorido
som DTS Dolby SDDS Digital
diretor Roger Avary
elenco James Van Der Beek, Ian Somerhalder, Shannyn Sossamon
Resenha
O eletrizante romance do autor norte-americano Brett Easton Ellis, sobre os hábitos e os gostos sexuais de estudantes universitários de classe alta, ganha um tratamento às vezes inspirado, mas nada muito satisfatório em Regras da Atração, de Roger Avary.
O filme não consegue traduzir Ellis para o cinema tão bem quanto Mary Harron fez na adaptação de seu romance anterior, Psicopata Americano.
A história é ambientada no fictício Camden College. Um caso amoroso entre Sean Bateman (James Van Der Beek no papel do irmão mais jovem de Patrick Bateman, de Psicopata Americano) e o bonitão Paul Denton (Ian Somerhalder) vira uma obsessão unilateral por parte de Paul, já que Sean passa a desejar a linda e inatingível Lauren Hynde (Shannyn Sossamon).
Lauren, por sua vez, queria estar com Victor (Kip Pardue), que está de férias na Europa e, no passado, já namorou Paul.
Como boa parte do interesse pelo livro de Ellis se baseia na imprecisão do texto, o filme de Avary é um empreendimento ousado. O roteirista e diretor - que dividiu com Quentin Tarantino um Oscar pelo roteiro de Pulp Fiction - Tempo de Violência e teria trabalhado mais de dez anos para levar Regras da Atração aos cinemas - criou uma série de abordagens inovadoras, incluindo uma técnica de tela divida.
Mas o filme nunca chega a sair da sombra do livro de Ellis. As restrições do tempo convencional de filmagem obrigaram o diretor a abrir mão de muitas das subtramas e o que restou pode parecer incoerente a quem não leu o livro.
Muito pouco tempo é passado desenvolvendo a relação entre Sean, Patrick e Lauren, de modo que o triângulo amoroso, que no livro parecia complexo e cheio de facetas mal chega a ser registrado como flerte passageiro.
O filme em nenhum momento transmite o clima de cinismo frio, beirando o absurdo, que é uma das características marcantes de Ellis como escritor.
O que menos foi transposto para o filme é o pansexualismo dominante na obra de Ellis. E o filme apenas sugere a enorme riqueza de que dispõem seus personagens privilegiados, sendo que é justamente essa classe alta um dos alvos principais de Ellis.
Mas o elenco trabalha bem, e Van Der Beek em grande medida deixa de lado sua imagem de garoto bonzinho do seriado Dawson''s Creek.
Em participações menores, Fred Savage (o garoto Kevin do seriado Anos Incríveis ) e Eric Stoltz (no papel de um professor tarado) também estão ótimos.
Secretária

título original Secretary
gênero Comédia,Drama,Romance
ano 2002
país de origem Estados Unidos
distribuidora Imagem Filmes
duração 112 min.
classificação 16 anos
língua Inglês
cor Colorido
som DTS Dolby SDDS Digital
diretor Steven Shainberg
elenco James Spader, Maggie Gyllenhaal, Jeremy Davies, Patrick Bauchau
Resenha
Secretária, de Steven Shainberg, que chega aos cinemas nesta sexta-feira, mostra uma história de amor extremamente complexa, uma relação entre chefe e subordinada que evolui para uma ligação sadomasoquista mutuamente satisfatória.
Os criadores do filme, vencedor do prêmio especial do júri do Festival Sundance de Cinema por sua originalidade, quiseram chegar às raízes psicológicas do comportamento dos personagens, e seu relativo êxito nisso torna as peripécias exibidas não apenas dramaticamente justificadas, mas emocionalmente plausíveis.
Secretária se beneficia do fato de ter sido criado com grande cuidado e visão, partindo do ponto de vista da composição psicológica extremamente singular do personagem-título.
Esse mérito não cabe apenas ao diretor, mas também à roteirista Erin Cressida Wilson, dramaturga que adaptou sob orientação de Shainberg a história do conto homônimo de Mary Gaitskill.
O vislumbre inicial de uma moça cuidando de trabalhos rotineiros de escritório enquanto está algemada a um bar portátil funciona como uma prévia da história, que começa seis meses antes, quando Lee Holloway (Maggie Gyllenhaal) tem alta de um hospital psiquiátrico.
Cercada por seu pai, que a maltrata (Stephen McHattie), e sua mãe (Lesley Ann Warren), que a trata como criança, a moça volta a seus hábitos antigos, que envolvem o uso de acessórios para obter prazer infligindo dor a si mesma (como, por exemplo, quando ela encosta uma chaleira fervente contra sua coxa).
Entretanto, decidida a tornar-se independente, a bonita mas desajeitada Lee arruma um emprego como secretária do sério e excêntrico advogado E. Edward Grey (James Spader), que a avisa que o trabalho será chato.
Ela não se importa, nem mesmo quando ele a manda fazer coisas como vasculhar um contêiner de lixo em busca de documentos desaparecidos.
Sem identificação imediata
Enquanto o roteiro e os atores vão revelando as bases comportamentais e psicológicas da ação, Shainberg busca distanciar a história da realidade absoluta e, para isso, recorre à estilização dos ambientes.
As cenas externas foram filmadas em locais anônimos do sul da Califórnia, para evitar a identificação com algum lugar específico, e a maior parte da ação se dá no escritório de Edward, que, com sua decoração estranha, não se parece com nenhum escritório de advocacia já visto no cinema ou na vida real.
Depois de criticar Lee cada vez mais por seus hábitos descuidados, Edward eleva seu castigo para um novo nível quando resolve bater na secretária enquanto lê uma carta em voz alta. Na vez seguinte, ela concorda em ficar de quatro e se arrastar pelo chão.
Mas Lee fica sem saber o que fazer quando o sempre imprevisível Edward de repente pára com as brincadeiras, colocando sua vida profissional em dúvida e confundindo sua vida pessoal.
Profundamente comovida por ter encontrado alguém que compreendera sua fonte secreta de prazer e frustrada por tê-la perdido, Lee tenta espancar-se sozinha, mas descobre que não é a mesma coisa.
A terceira parte do filme mostra os esforços de Lee para retomar o contato com o enigmático Edward, que acabam sendo românticos. E ao final do filme Lee já empreendeu uma longa jornada, partindo da ausência total de consciência para a satisfação profunda e o auto-conhecimento -- tudo isso seguindo um caminho nada comum.
O interessante do trabalho é justamente esse despertar psico-sexual e quem for assisti-lo procurando emoções sexuais perversas vai sair insatisfeito.
Num papel extremamente difícil, que exige da atriz uma gama imensa de expressões emocionais, Maggie Gyllenhaal é fantástica na maneira como revela a maneira pela qual Lee vai pouco a pouco aprendendo o que quer e ganhando a coragem de sair em busca disso.
James Spader, como Edward, repete alguns elementos de outros papéis bizarros que já teve, e durante a maior parte do filme o personagem é inescrutável e inatingível, mas a precisão e intensidade com que o ator representa as
cenas-chave é crucial para manter Secretária sempre convincente.
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