Injustiças acontecem; Nesta seção, chamamos a atenção de fatores (Fotografia, Direção, Interpretação, Direção de Arte, por exemplo) em algum filme que por uma razão ou outra não foram valorizados como mereciam. * Destacamos o roteiro brilhante de Alcione Araújo (autor do roteiro de "Policarpo Quaresma" e 'Jorge-Um Brasileiro'), para o debut cinematográfico como Diretor do grande Murilo Salles (fotógrafo de "Dona Flor e Seus Dois Maridos", "Tabu", etc), baseado em argumento de Salles e de Jorge Durán ('Pixote', 'Lúcio Flávio', etc), por sua vez tirado do conto de João Gilberto Noll. A trama, intimista, narra a difícil relação entre pai e filho que voltam a se ver depois de anos. Muitos filmes com este tema poderiam resultar em verdadeiras torturas para o espectador, apelando para pretensiosas subtramas e simbologias impenetráveis. Não é o que ocorre aqui, pois Alcione mantém os personagens complexos sem serem frios (aliado é claro, pelas magistrais interpretações do competentíssimo Cláudio Marzo e do ex-surfista Roberto Bataglin, no seu melhor trabalho até hoje), assim facilitando a identificação entre o público e personagens.
* O Roteiro de 'A Gargalhada Final', escrito pelo também Diretor e Roteirista Xavier de Oliveira, que escrito de forma naturalista e com diálogos convincentes, proporcionou ao falecido cômico Fregolente e ao ótimo Stepan Nercessian (que já havia trabalhado com Xavier em 'André, Cara e Coragem'), interpretações verossímeis. Lançado no mesmo ano que Bye Bye, Brasil, ambos giram ao redor da mesma premissa: A extinção das expressões culturais populares frente à TV.
* Muitos vezes, a crítica chama tanto a atenção das qualidades do ator principal que acaba esquecendo de ressaltar uma atuação também brilhante no mesmo projeto. Como uma das razões principais do www.sitedecinema.com.br e 'fazer justiça com o próprio teclado de PC', não deixaremos este tipo de injustiça passar em brancas nuvens. Veja por exemplo, a magnífica atuação do ex-comediante Jim Belushi (na época vivendo sob a sombra do seu irmão, o falecido John Belushi) no maravilhoso drama político "Salvador" (sub-titulado no Brasil 'O Martírio de um Povo'), primeira obra dirigida por Oliver Stone a não ser completamente desprezada pela imprensa Mundial. James-ou Jim- faz o papel de Dr. Rock do melhor amigo do protagonista brilhantemente interpretado por James Woods, que acaba indo de gaiato com Woods para a Nicarágua, e lá tem sua vida mudada para sempre. Belushi nos faz rir, chorar e nos preocupar com seu personagem, dando humanidade ao seu atrapalhado e apolítico personagem.
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